Como vivi mais de um ano sem WhatsApp no Brasil
Atualizado em: 03 mar, 2026
Inspirado no experimento do Rodrigo Ghedin, É possível viver sem WhatsApp no Brasil?, resolvi escrever sobre a minha experiência de quando consegui me afastar completamente do WhatsApp por cerca de um ano.
Contextualizando
Primeiramente preciso contextualizar que o ano que desinstalei o WhatsApp foi em 2019, eu ainda estava no ensino médio e não tinha nenhuma preocupação com mercado de trabalho. Além disso, meu problema não é com mensageiros no geral, e sim com a Meta.
Hoje, estritamente no conceito de funcionalidades, acredito que WhatsApp melhorou muito, mas em 2019 ele não tinha absolutamente nada que qualquer concorrente não tivesse, inclusive, muitas vezes tinha menos recursos no geral, além de ser um aplicativo da Meta. Isso me deixava indignado por terem elegido ele como standard de comunicação no país.
Em virtude disso, decidi parar de usar ele, mas precisava de uma alternativa para manter contato com os amigos e familiares. Também precisava marcar eventos, como churrascos com a galera, algo que basicamente era feito apenas por WhatsApp.
Na época, optei por migrar para o Telegram uma vez que, mesmo não tendo criptografia ponta-a-ponta, as funções e usabilidade do app eram ideias para eu tentar convencer alguém que eu conversava no dia-a-dia para de fato baixar e topar uma experiência em outro aplicativo para comunicação. Além disso, prefiro 1000x a política de privacidade do Telegram do que da Meta.
Colocando o plano em ação
O primeiro passo foi explicar e convencer as pessoas que eu conversava diariamente a baixar o Telegram. Nesse momento, eu ainda usava o WhatsApp, mas já tinha desativado as notificações, então a única forma de falar rápido comigo era via Telegram, e-mail ou ligação.
Depois que meus familiares que de fato conversavam comigo começaram a usar o Telegram, desinstalei o WhatsApp do meu celular e comecei a tentar convencer meus amigos a migrarem para qualquer mensageiro da preferência deles que não fosse da Meta.
Por um breve período, cheguei a ter meu grupo principal de amigos no Telegram, no entanto, eles continuavam interagindo no grupo do WhatsApp (que eu não estava mais presente). Isso foi bem frustrante mas continuei firme no objetivo.
A escola que eu fiz o terceiro ano não tinha trabalhos em grupo, então foi zero dor de cabeça pensar em como se comunicar com os colegas. Os mais próximos me chamavam por outros meios se quisessem e, se não quisessem, só falavam comigo na escola mesmo.
No final consegui me adaptar muito bem à rotina, não tinha nada que não conseguisse fazer sem o Whats e, se eventualmente aparecesse algum evento que me convidassem por por lá, outros amigos me avisavam as informações presencialmente ou por Telegram e eu conseguia frequentar normalmente.
O início da derrota
Com a aprovação no vestibular, tive que me mudar para outra cidade e morei alguns anos em República. Por causa disso, infelizmente tive que reinstalar o WhatsApp para comunicações de trabalhos em grupo da faculdade, tarefas da casa e eventos importantes.
Os primeiros meses na República foram bem no início da pandemia, então os eventos em si estavam suspensos, o que fazia com que eu não tivesse que me preocupar muito com o WhatsApp e, aos poucos, eu tentava convencer os colegas que moravam comigo a usar qualquer outro app, sem muito sucesso.
Com o recomeço das aulas, não consegui mais fugir do inevitável. Fui presidente do CAURB e precisava ter um contato próximo com o departamento, o colegiado e os alunos. Sem o WhatsApp essa tarefa se mostrou impossível, então passei a usar ele regularmente, com baixa prioridade em relação aos outros mensageiros e e-mail.
A derrota
Em 2023, quando voltei para São Paulo, comecei uma graduação de Direito na São Judas e entrei para o mercado de trabalho. Desse ponto em diante, me vi mergulhado no WhatsApp sem nenhuma perspectiva de quando poderei me afastar novamente.
A universidade usa ele como ferramenta principal de comunicação (parece que são inimigos do e-mail ou do portal), sem ele não tem nem como saber as informações institucionais como as avaliações.
Já o mercado de trabalho, pelo menos nos dois escritórios que eu já trabalhei, usam o WhatsApp para fazerem comunicados formais, assim como para comunicação de equipe no dia-a-dia, o que torna impossível simplesmente falar que "não tem o app" ou tentar se comunicar por outra forma para assuntos rápidos.
Por mais que hoje eu tenha o WhatsApp instalado, usando ele diariamente, as pessoas que consegui migrar para outros apps, mantive conversando por eles. Dessa forma, o app continua presente nas minhas comunicações, mas é minha última opção quando vou escolho me comunicar com alguém.
Hoje uso como mensageiros principais, falar com quem realmente importa, os seguintes em ordem de prioridade: Threema, Signal, Telegram, e-mail e o SimpleX.
Realmente espero que consiga me afastar completamente da Meta em algum momento, mas a forma que o Brasil se integrou com o WhatsApp em todas as esferas, não sei se esse dia realmente vai chegar.